quarta-feira, 25 de dezembro de 2002


Há muita gente a passear à custa do combate à pobreza, da reabilitação. Isso tem que acabar.


Frase do ano

- Bagão Félix, Ministro da Segurança Social e do Trabalho



Ordem suspende Deus


Título do ano

- Parangona do jornal 24 Horas, 24.12.02
Tradução: a Ordem dos Médicos suspendeu o pediatra António Deus, acusado de pedofilia


segunda-feira, 16 de dezembro de 2002

Bacorada da semana


clicka num ano qualquer para ficares a conheçer o pessoal!

(em http://rrb.do.sapo.pt/pessoas.htm, site de uma "república" de estudantes universitários)


Entrevista da semana


Mari Alkatiri, ao Jornal de Notícias (disponível durante os próximos seis dias).


Frase da semana


Um operário é um capitalista subdesenvolvido
José Vilhena


Cartoon da semana



(enviado por L. Marques)


Anedota da semana


Um tipo vai andando pela rua quando de repente, não mais que de repente, um assaltante mascarado lhe aponta a arma e diz:
- Passa para cá o relógio!
O coitado dá-lhe o seu Rolex falso e o ladrão reclama ...
- O que é isto? Esta merda não vale nada! Passa a carteira...
O homem dá-lhe a sua carteira de plástico, imitação de Pierre Cardin, e o assaltante encontra nela três módulos de autocarro, 2 senhas de refeição e cinco euros.
Já meio lixado, o ladrão diz:
- Tu és uma merda mesmo ... o teu casaco está gasto, os teus sapatos numa pior e a única coisa que parece que presta é uma reles imitação barata! Afinal, que merda fazes na vida?
O tipo responde, quase chorando:
- Sou professor!
E o ladrão, tirando a máscara, pede-lhe desculpas e pergunta com um sorriso simpático:
- És mesmo? Ficaste colocado? Em que escola?...
(com a devida vénia, e adequadamente desbarretado, esta piada mórbida é citação e foi retirada de fórum Professores, do Sapo; o "post" foi para lá enviado por G. Cabral.)


Notícia da semana


Não há.

João Semana


terça-feira, 10 de dezembro de 2002


Em Timor, por dá cá não sei que palha, estoirou a bernarda. Havia quem desconfiasse que a coisa poderia acontecer de um dia para o outro e quem achasse assaz estranha a inopinada resignação de D. Ximenes Belo.
Ao que se diz, os timorenses, mormente os jovens, andam revoltados com a situação financeira do país. Devem andar e, se calhar, até desconfiam que o Mundo lhes deu a independência para se ver livre deles. Mas, há quem rosne, anda mouro por aquelas costas. O descalabro económico nem sempre acaba em revolta aberta se não houver quem a estimule.
Vejam ao ponto a que chegámos e como andamos mansinhos.
O Diabo, 10.12.02
foto enviada por L. Marques


quarta-feira, 4 de dezembro de 2002

Últimas



foto de Jornal Digital

A situação em Timor-Leste; meios de comunicação on-line

TSF

LUSA

Correio da Manhã

Rádio das Nações Unidas

Jornal Digital

Ligações do Sítio

Spamming


From: joao.graca
To: Peter Pindák
Sent: Wednesday, December 04, 2002 4:17 PM
Subject: spam; abuso

Sr. Peter Pindak,
Uma leitura mais atenta da sua mensagem permitiu-me concluir que utilizou nela o meu próprio livro de endereços. Prefiro admitir que o seu "entusiasmo" pela filatelia o tenha levado a cometer de forma não intencional esta tremenda deselegância, este abuso inqualificável, e, para sua informação, aquilo que já é considerado crime informático em muitos países civilizados. Admito que não tenha sido intencional, mas não podia deixar passar em claro esta sua manobra. Há coisas mais importantes do que a filatelia, acredite, e uma delas é a educação.
Para que os visitantes do Sítio de Timor possam ler e compreender o que o Sr. fez, vou explicar pormenorizadamente:

1 - No passado dia 28 de Novembro, enviei para a maior parte dos destinatários constantes da minha lista pessoal de endereços electrónicos uma fotografia sobre a fome em Angola.
2 - Um desses destinatários era o Sr. Peter Pindak, da República Checa.
3 - Este senhor utilizou (cortou e colou, simplesmente) a lista de destinatários da referida mensagem e enviou um e-mail para todos eles, pedindo selos (!!!)
4 - A lista de destinatários inclui conhecimentos pessoais, familiares, profissionais e institucionais. É uma lista PESSOAL, por conseguinte.

Esta atitude obriga-me a tomar medidas para tentar remediar o mal feito, já que uma "brincadeira" destas pode vir a ter consequências pessoais e - principalmente - profissionais imprevisíveis, além de que prejudica o próprio Sítio de Timor.
Informo-o desde já de que vou publicar esta mensagem, avisando as pessoas para ignorarem e, se possível, bloquearem o seu endereço electrónico; explicarei o que aconteceu e tentarei que esses destinatários do seu "spamming" ignorem aquela e as suas futuras mensagens; procederei, enfim, a todas as acções técnicas e práticas ao meu alcance para denunciar a situação, até para que incidentes semelhantes não voltem a acontecer.
Evidentemente, eliminarei de imediato as referências à sua pessoa na página de iniciativas do Sítio.
Piratear uma lista de endereços já é grave; roubá-la de uma mensagem alheia, enviada com a melhor das intenções, e ainda por cima sendo o tema o que era, não passa de um acto absolutamente ignóbil.
Atendendo a que sempre lhe foi prestada a melhor colaboração no Sítio de Timor, e na presunção de que realmente a sua atitude não tenha sido intencional, um pedido de desculpas, formal e dirigido a todas as pessoas da lista, seria bem vindo.
João Pedro Graça


Ver correspondência sobre este assunto
Recursos anti-spamming


sexta-feira, 29 de novembro de 2002

Foto da semana


Calminha aí, ó



foto enviada por Carmen Melo; título de JPG

Portugal é uma anarquia mansa, sem lei e sem destino


Vasco Pulido Valente

Discurso directo


Indecentemente surripiado do grupo "Ajudar-Timor" (mas aí já era forward de forward e portanto o surripianço não é grave), segue a versão integral do último discurso de Xanana Gusmão.
Como já antes aqui escrevi, este homem não manda dizer as coisas por terceiros, não insinua, não usa entrelinhas ou subentendidos, não sofre de verborreia e nem sequer é a tremenda seca politicamente correcta do costume. Para ler este discurso, é conveniente estar sentado e não ter pressa. Agradece-se que desliguem os telemóveis.


O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

ALOCUÇÃO DE SEXA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, KAY RALA XANANA GUSMÃO POR OCASIÃO DAS CERIMÓNIAS OFICIAIS PARA A COMEMORAÇÃO DO 28 DE NOVEMBRO
Dili, 28 de Novembro de 2002

Sua Excelência o Presidente Interino do Parlamento Nacional,
Sua Excelência o Primeiro Ministro,
Distintos Membros do Parlamento Nacional,
Distintos Membros do Governo,
Distinto Vice Representante Especial do Secretário Geral da ONU
Distintos Representantes das Missões Diplomáticas,
Senhoras e Senhores,

Esta é mais uma data para se celebrar a independência de Timor-Leste!
A independência não deveria ser celebrada, a independência deveria ser vivida nos seus benefícios. E é este o nosso problema maior, depois de mais de duas décadas de luta e depois de, mais recentemente e como ponto de referência, o 20 de Maio de 2002.
O que é que deveria significar a independência? Não será o conceito de “ou tudo ou nada”, mas temos a certeza deveria significar alguma coisa.
No “deveria significar alguma coisa”, podemos orgulhar-nos de termos uma bandeira, um hino e uma Constituição. Podemos afirmar também que temos um Presidente da República, que temos um Parlamento com 88 membros, muitos dos quais estão sempre a faltar e um Governo com muitos ministros e vice-ministros, porque se diz que há muito trabalho a fazer.
No “ou tudo ou nada”, podemos dizer que a independência significa, hoje em dia, um país com muitos problemas, que não são resolvidos com o devido cuidado.
28 de Novembro é uma data da FRETILIN! 20 de Maio é também dia da FRETILIN! A maioria no Parlamento é da FRETILIN! O Governo é essencialmente da FRETILIN! A independêncai serviu para se atender aos quadros da FRETILIN! A independência é para atender também os Antigos Combatentes da FRETILIN!
Celebra-se o 28 de Novembro de 2002, com a sensação de mágoa, por causa dos problemas de Uatu-Lari, com os problemas em Dili, com os problemas de Ualili e Baucau, com os problemas de Same e Ainaro, com os problemas de Ermera e Liquiçá, com os problemas de Suai e Maliana.
Infelizmente, nota-se que, criando problemas, pode-se levar algumas pessoas a Ministro, e que essas pessoas, depois de serem Ministros, só sabem aumentar os problemas. Há poucas semanas atrás, dei posse a mais um Vice-Ministro de Administração Interna, fazendo o apelo para que aquele Ministério comece a resolver com vigor os problemas que afectam a establidade e a segurança do país. O facto é que os problemas têm vindo a acumular-se.
Se a independência é só da FRETILIN, eu não tenho nada a comentar. Se a independência é para todos nós, todos os timorenses, eu aproveito esta oportunidade para exigir ao Governo a demissão do Ministro da Administração Interna, o Sr. Rogério Lobato, por incompetência e desleixo.
Conforme a Constituição, Timor-Leste ficou independente em 28 de Novembro de 1975! Há 27 anos que se é independente – vejam só! Presto a minha homenagem à FRETILIN!
Porém, para a Comunidade Internacional, ficámos independentes em 20 de Maio de 2002! Eu próprio fiquei sem saber como fazer um discurso em 28 de Novembro, com tantos problemas que o Governo tem nas suas mãos e, ainda por cima, com duas datas nas minhas mãos!
A justificação de que só há seis meses atrás se recuperou a soberania, não pode prolongar-se indefinidamente. A questão de que só pertence a alguns a obrigação ou a legitimidade de gerir Timor-Leste é reveladora não só de arrogância, como também de ausência de maturidade política e da total falta de consciência das dificuldades do país.
O que se nota é que as pessoas se deixam levar, muitas vezes, a assumir que os quadros do Partido é que merecem ser nomeados para este ou para aquele lugar! Perdeu-se a noção dos “interesses nacionais”, perdeu-se a noção dos “superiores interesses do povo e do país”, perdeu-se a noção da nova conjuntura do processo, que exige a capacidade para cumprir e dedicação para servir.
As pessoas ficam deslumbradas com o “poder”, as pessoas ficam obsecadas por, como quadros do Partido, serem ou terem que ser os que mandam. As pessoas só sabem exigir que os quadros do Partido, não importa se são bons técnicos ou não, não importa se fizeram alguma coisa à luta ou não fizeram nada, mas porque são quadros do Partido têm que ser eles os “grandes”.
As pessoas começam, erradamente, a medir o número de lugares pelo número dos quadros do Partido, para que todos se acomodem porque o partido é grande, e as pessoas ficam insatisfeitas porque nem todos sobem ou nem todos podem ir para cima.
Esta é a doença que arrastou muitos partidos e muitos países recém-independentes ao desmando, à ineficiência, à corrupção e à instabilidade política, onde os governantes vivem bem e o povo na miséria.
Hoje, o Povo vive as maiores dificuldades no seu dia-a-dia, mas o Partido vive o problema de não poder acomodar todos os seus quadros, com o perigo ainda de virmos a ter incompetentes administrando distritos e sub-distritos.
Disto tudo, se nota que muitas pessoas se servem dos partidos e não servem os seus partidos, e se servem os seus partidos não servem o país.
Hoje, celebra-se o 28 de Novembro e convido a todos a pensar nos deveres de cada um como cidadão e, sobretudo para alguns, nos deveres como governantes.
Muita gente ainda não sabe o quanto somos vulneráveis, depois da independência. Os Partidos políticos vivem a ilusão da independência, quando estamos, mais do que nunca, tão dependentes! Dependentes dos favores de outros, dependentes da grandeza e capacidade de outros, dependentes da nossa própria fraqueza ... de sermos um país pobre, pequeno e inexperiente.
Muita gente desconhece que levamos já como país sub-desenvolvido um estigma, como que um pecado original: a culpa de sermos pobres, pela qual temos que “render graças” aos que mais sabem, aos que mais podem, aos que decidem ... por nós, porque as regras de jogo já estavam estabelecidas e o 28 de Novembro de 1975 não significou absolutamente nada.
Aqui dentro, aqui em Timor-Leste, iniciámos os primeiros ensaios de aprendizagem política, tornando-nos mais vulneráveis ainda, enquanto nação, enquanto povo. E os que podem vão continuando a tentar ajudar-nos a criar a sensação de sobrevivência, porque a tentação que existe hoje, nos timorenses, é a satisfação das recompensas, haja ou não haja motivos para isso. Perdemos a noção da Nação, porque nos agarramos ao sentido dos interesses partidários.
Repito: muita gente desconhece o quanto somos vulneráveis, depois de 20 de Maio. E se não corrigirmos as atitudes, se não corrigirmos as irresponsabilidades, mais vulneráveis nos tornaremos, em cada ano que passa.
Muitos não têm a noção de que vivemos de esmolas, outros não têm a noção de que não podemos continuar a viver de esmolas. Alguns pregam o sentido de realismo, que eu diria de pactuação porque as leis do jogo não são nem podem ser nossas, são dos que podem para não dizer dos que mandam.
Nós os timorenses entretemo-nos, nas nossas politiquices de quem manda mais ou de quantos devem mandar, não nos preocupando em saber do nosso papel, como país independente, e das nossas obrigações, porque só temos obrigações, como país pobre e sub-desenvolvido.
É lindo celebrarmos a independência, duas vezes por ano. É triste, contudo, que o nosso povo tenha tantas lamentações, por cada dificuldade não resolvida.
Apelo ao Governo, aos Partidos sobretudo e ao Parlamento para considerarem seriamente os problemas que estão a acumular-se, ameaçando a estabilidade do País.
Obrigado.

quinta-feira, 28 de novembro de 2002

18
24


432
365


157680
cento e cinquenta e sete mil, seiscentos e oitenta crianças mortas à fome, por ano, em Angola


quarta-feira, 27 de novembro de 2002

Revista de imprensa


Multidão armada atacou esquadra de Baucau


Cerca de quatro centenas de pessoas armadas com armas brancas e de fogo atacaram hoje a esquadra da Polícia de Baucau, a segunda maior cidade de Timor-Leste, tendo provocado várias vítimas e danos materiais no edifício e em veículos estacionados nas suas imediações.

Correio da manhã, 25.11.02

D. Ximenes Belo resigna


O bispo D. Carlos Ximenes Belo apresentou a sua resignação ao cargo de Administrador Apostólico de Díli, alegando razões de saúde, mais concretamente “fadiga mental e física”.
Durante a sua visita ao nosso país, o bispo acusou os governantes de Timor-Leste de viajarem muito e de contactarem pouco com os problemas que a população enfrenta no seu dia-a-dia.

Correio da manhã, 26.11.02

Eurico Guterres apanha dez anos


Eurico Guterres, o líder da maior milícia pró-Indonésia que actuou em Timor-Leste antes da independência deste país, foi hoje condenado por um Tribunal de Jacarta a uma pena de dez anos de prisão.
Horas antes de ouvir a sentença proferida pelo tribunal indonésio, Eurico Guterres mostrava-se bastante confiante, tendo mesmo afirmado aos jornalistas não sentir remorsos por nada do que fez.

Correio da manhã, 27.11.02

Portugal é o pior (do Mundo) em eficácia educativa


Portugal está em último lugar numa tabela elaborada pela UNICEF acerca da eficácia dos sistemas educativos em 24 países industrializados. Dito de outra forma, o nosso país é aquele onde os alunos possuem mais desvantagens em termos das aprendizagens de literacia, matemática e ciências. A Coreia e o Japão estão no topo da lista; Portugal, Grécia, Itália e Espanha ficam nos últimos lugares.

Diário de Notícias, 27.11.02


notas: as notícias apenas estarão disponíveis enquanto os órgãos de comunicação respectivos as disponibilizarem on-line; os excertos são transcritos dos originais


Auto-retrato




(cartoon enviado por Paulo Santos, de Cabo-Verde)

sábado, 23 de novembro de 2002



Em Angola, morrem à fome 18 crianças por hora



Esta fotografia foi enviada para o Sítio em "carta" (forward de forward de forward) de Carmen Melo.
No texto dessa carta, a frase o autor desta foto matou-se há meses



quinta-feira, 21 de novembro de 2002

19-11-2002 10:56:00 GMT 04:56:00 Hora local. Notícia 4355159

Temas: justiça timor-leste portugal


Timor-Leste: Tribunal de Díli ordena prisão preventiva de cidadão português


Díli, 19 Nov (Lusa) - O Tribunal de Díli ordenou hoje a prisão preventiva por 30 dias de um cidadão português acusado de porte ilegal de arma e de ter provocado danos corporais, decisão que mereceu já críticas de peritos internacionais.
Rui Fernando Pereira, 21 anos, foi detido na passada sexta-feira depois de ter disparado contra uma empregada num dos cafés propriedade da sua família, em Díli. O caso assumiu, no entanto, contornos mais graves depois de a vítima, que sofreu ferimentos ligeiros numa perna, ter alterado o seu depoimento inicial.
Logo depois do disparo, que o acusado diz ter sido "um acidente", a vítima garantiu, em declarações à polícia, que não tinha havido intenção criminosa, acabando, todavia por alegar, durante um segundo depoimento, que tinha sido ameaça por ele.
O cidadão português, em Timor-Leste desde Fevereiro, foi hoje presente ao juiz João Carvalho que, na audiência preliminar, aceitou os argumentos do Procurador, Amândio Benevides, que pediu a prisão preventiva para que a investigação seja concluída.
O juiz rejeitou os repetidos apelos do advogado de defesa, Benevides Correia Barros, segundo os quais o arguido não tinha qualquer registo criminal, estava preparado para pagar qualquer caução exigida e não constituía ameaça.
Rejeitados foram igualmente os argumentos apresentados pela defesa, de acordo com a qual Rui Pereira poderá sofrer represálias físicas enquanto permanecer detido na cadeia de Becora, em Díli.
A decisão foi especialmente mal recebida pela mulher do arguido, Odete Costa, que em declarações à Agência Lusa disse temer pela segurança do marido, tendo em conta que foi ameaçado enquanto permaneceu detido no quartel de Díli.
Todos os cafés e restantes empresas propriedade da família do cidadão português, entre os quais o City Café - um dos primeiros a ser aberto depois da violência de 1999 - estão fechados desde sexta-feira, em consequência de ameaças de ataque.
Fonte policial confirmou, entretanto, à Agência Lusa ter já sido aberto um processo disciplinar para investigar a alegação de que um agente policial terá apontado a arma ao arguido, ameaçando-o, quando estava detido no quartel da polícia em Díli.
A mesma fonte precisou ter sido enviada ainda uma carta ao director da cadeia de Becora, onde Rui Pereira já se encontra, solicitando que o português seja mantido numa cela sozinho por se temer "ataques contra a sua integridade física".
Até ao momento não foi possível confirmar se o pedido do comando da polícia em Díli foi ou não aceite.
A decisão do tribunal demonstra, no entender de observadores em Díli, as fraquezas do sistema judicial timorense, entre as quais dificuldades de comunicação entre os intervenientes no processo e a aparente falta de formação profissional dos magistrados e juristas timorenses.
A audiência de hoje foi interrompida para se arranjar um tradutor que falasse português e que acabou, por cometer falhas na tradução, omitindo até elementos da declaração do arguido.
Peritos judiciais internacionais, contactados pela Agência Lusa, questionam também a decisão da aplicação de prisão preventiva afirmando que os juízes
timorenses "abusam" tradicionalmente desse instrumento, dirigindo as audiências preliminares "quase como se fossem o julgamento".
"Muitas vezes consideram as prisões preventivas quase como uma sentença", desabafou um jurista internacional.
Criticam também o facto de a audiência se ter transformado "quase num julgamento sumário", com os debates entre a Procuradoria e a defesa e as questões colocadas directamente pelo juiz ao arguido a "ultrapassarem o que é normal em audiências deste tipo".
"É igualmente estranho que o juiz tenha ordenado a prisão preventiva e, ao mesmo tempo, que o passaporte do arguido fosse apreendido. São duas opções alternativas e que aqui foram usadas ao mesmo tempo", disse.
Outras fontes judiciais sugerem ainda um cenário mais grave referindo que o juiz responsável pelo caso terá referido na segunda-feira que pretendia fazer deste processo "um exemplo".
Observadores no tribunal consideram, por outro lado, que a decisão de hoje foi "afectada" pelo facto de Rui Pereira ser estrangeiro e especialmente por
ser português
.
"De todos os magistrados e juízes do tribunal de Díli este foi o único (juiz) que se recusou a ir às aulas de português", afirmou uma fonte.
O caso está a causar mal-estar entre a comunidade portuguesa de Díli, com alguns cidadãos a manifestarem-se preocupados com a falta de protecção que o sistema judicial timorense oferece.
Ao mesmo tempo temem que sectores da sociedade timorense estejam a exercer discriminação contra portugueses.
Esta situação ocorre numa altura em que se registam aumentos significativos nos casos de violência grave e de criminalidade, um pouco por todo o território, com total desrespeito pela autoridade.
Portugueses e outros estrangeiros admitem, por isso, sentir actualmente "mais medo do que nunca", como referiu à Agência Lusa um português que está em Timor-Leste desde Outubro de 2000.
"Nunca senti tanto receio de andar por Timor como agora. Penso que a situação é grave", desabafou.
O caso de Rui Pereira está a ser acompanhado de perto pela embaixada portuguesa em Díli.

ASP Lusa/Fim
[This message was sent to you by the Judicial System Monitoring Programme]
(realces de JPG)

segunda-feira, 18 de novembro de 2002


Timor-Leste: primeiros casos de SIDA


O país mais novo do mundo já registou a sua primeira vítima mortal do VIH. Um homem casado e com dois filhos morreu há alguns meses, tendo sido notificado como o primeiro caso de SIDA no país. A mulher e o filho mais novo também estão infectados. Além destes dois casos, há mais seis pessoas vivas a quem foi diagnosticado o VIH. Os seropositivos timorenses não estão, contudo a ser tratados, porque não existem medicamentos anti-retrovirais no país. Dados oficiais, resultantes de análises efectuadas em transfusões de sangue, dão conta de que 0,64% da população estará infectada, um valor que o Ministro da Saúde de Timor-Leste considerou como “a ponta do iceberg”. O primeiro plano estratégico de combate à SIDA deverá começar a ser delineado em breve por especialistas portugueses.

Revista CONTRASIDA Outubro 2002, pág. 26
Click AQUI para ler a revista completa (formato PDF)

sexta-feira, 15 de novembro de 2002


(enviado por T.S.)

terça-feira, 12 de novembro de 2002

Frases célebres


Tenho vergonha de ser português
Júlio Resende, 85 anos, pintor (de quadros), in DN 11.11.02
(no comment)
Estamos a chegar ao limite do apodrecimento da vida política
Manuel Alegre, poeta, deputado, etc., in Público 11.11.02
(pessoalmente, não me agradaria nada estar nesse grupo ligeiramente podre)
Eu parto os cornos a Vossa Excelência
José Vilhena, cidadão, citando um qualquer deputado em uma qualquer sessão da AR, in O Moralista Novembro 2002
(quem fala assim não é gago e é muito bem educado)
Sendo que já deve ter nascido tal qual como é (irra!)(...)
Gonçalo Capitão, deputado do PSD, sobre Eduardo Prado Coelho, in Público 11.11.02
(vá lá, desta vez não lhe chamou bolinha de sebo; a interjeição é genial)
Quanto mais me bates, mais gosto de ti
Ditado popular, consta, mas deve ser um original de Monsieur le Marquis de Sade
(hau la hatene bahasa portuges)

segunda-feira, 11 de novembro de 2002

(foto enviada por V.P.)

Este país é um colosso


João César das Neves, colunista do DN e professor universitário, tem andado, nos últimos dias, muito ocupado com a escalpelização de um relatório, hmm, digamos, encanitante. Exarado pela muito estranhamente portuguesa Fundação Zwentzerg (raio de nome), este relatório é assim a modos que um "corpus" do nosso modo de ser, sem ofensa; daí a escalpelização, ou autópsia, melhor dizendo. É que este cadáver Portugal, meus amigos, tresanda; nada fácil analisar, extrair tecidos, seccionar ou tirar lâminas, tão avançado é o seu, dele, estado de decomposição.
Verdadeiro colar de pérolas, a última análise refere que
(...) O mundo está envolvido num intenso processo de globalização, desenvolvimento e integração socioeconómica. Abrem-se perspectivas maravilhosas e riscos assustadores para todos. Mas, entretanto, os portugueses desinteressaram-se. Decidiram brincar à intriga, às reivindicações, aos escândalos. A História não pára e o jogo não é a feijões. Pode-se protestar, distrair-se ou adormecer. Outros se aproveitarão das oportunidades.
As preocupações da vida pública portuguesa são a protecção de privilégios, a exigência de benesses, o aproveitamento de expedientes. O grande projecto nacional é a organização de um campeonato de futebol. O propósito supremo da nação é manter os subsídios de Bruxelas. O nível do debate público é comandado pelos clubes da bola, pelos projectos de casinos e corridas de cavalos, pelas revistas de coscuvilhice, pelas telenovelas e reality shows. Toda a gente quer um nível de vida europeu e ninguém pretende fazer nada para isso.
O Governo quer agradar a todos e mascara pequenas medidas de grandes reformas. A oposição insiste em se tornar irrelevante na euforia da contradição. Perante a inoperância das autoridades, as corporações, grupos de interesse e forças de pressão atingem o auge da sua força paralisante. Portugal cai na esclerose social. (...)
Se os empresários escrevem cartas a pedir protecção nacional nas primeiras escaramuças, como vão eles aguentar a real integração económica que vem aí fatalmente? Se os sindicatos e trabalhadores fazem um barulho enorme com a timidez do Código de Trabalho, como é que vão tolerar a indispensável flexibilidade que tem de ser conseguida para sobreviver na globalização? Se os médicos mostram indignação com as propostas tímidas de transformação, como virão a ter um sistema de saúde que não os envergonhe? Se os professores estão aos gritos com mudanças elementares, como será possível lidar com o escandaloso desperdício no sistema educativo?
Repetindo a imagem de Churchill em 1936, os últimos anos em Portugal foram os anos que o gafanhoto comeu (...) E nós continuamos a preparar mais meses e anos - preciosos, talvez vitais para a grandeza do país - para o gafanhoto comer.
Os gafanhotos são empresários que sobrevivem à custa dos subsídios, da evasão fiscal e de favores políticos. São trabalhadores preguiçosos que sugam o trabalho dos colegas com «baixas», licenças e restrições aos despedimentos. São contratos exclusivos, autarquias e serviços públicos que impõem a sua incapacidade aos clientes impotentes.
Mas não há só gafanhotos. Levantar o véu da despesa pública, metade do produto nacional, revela milhões de sanguessugas, coladas às veias do sector produtivo: funcionários, direcções-gerais, institutos, consultores, projectos, interesses.
Milhões que chupam milhões para nada fazer de útil. Ao lado, estão os monumentais desperdícios dos sistemas de saúde, educação, justiça, segurança social, e tantos outros, absorvendo muito mais do que justifica a sua prestação. Onde vai isto tudo acabar?(...)
A Europa mudou muito desde 1995. Nos últimos sete anos, a Grécia curou-se e Portugal apanhou a doença grega. O êxito subiu-lhe à cabeça. Deixou de ser o bom aluno europeu e apostou na cabulice. Já não se ouve deixem-nos trabalhar!; diz-se exigimos regalias!. Entretanto, a história passa ao lado.
Portugal não tem um mau aparelho produtivo, económico e social. O drama é a existência de uma enorme classe de parasitas, que suga o produto dos demais. Aliás, ao conseguir aguentá-los, o aparelho económico até mostra que é óptimo. O problema não é o atraso, a debilidade ou a falta de produtividade. É a "febre da carraça".



Necrófagos e outras avezinhas negras, planando, piu... piu... piu...: mais uns quantos pedaços suculentos AQUI, AQUI e AQUI.
Todas as pérolas deste colar em busca Google.


Notinhas de rodapé: as minhas putativas observações cáusticas são, comparativamente e afinal, meras tergiversações inócuas; e vendo bem a coisa, o que tem isto a ver com Timor? Hem? Bom, talvez que o país do sol nascente bem pode esperar sentado (sobre os calcanhares); Portugal já era.

domingo, 10 de novembro de 2002

Breves


GNR BT


Nos últimos dias, foram presos e/ou acusados vários agentes da GNR; os números variam, mas o total deve rondar 130; mais uns duzentos estarão neste momento sob investigação da PJ, por suspeitas de corrupção, peculato e crimes semelhantes. O DN de hoje, Domingo 10, faz - e muito bem - uma referência aos militares da Guarda Nacional Republicana em Timor, num pequeno artigo sob o título Força de intervenção rápida: os heróis de Timor. Uma frase de Xanana Gusmão é citada, e muito a propósito: "Eu sei que lá em Portugal a GNR não goza de boa imagem, mandem-nos todos para cá, para nós são uns heróis."

D. Ximenes Belo


(...) Malvasia Fina, Cerceal e Gouveio cultivadas em meia encosta(...). Cor citrina clara, nítido e delicioso aroma de maçã bravo de esmolfe sabor macio com ligeira acidez, volume razoável e gosto igual ao aroma, muito agradável, com suficiente persistência. Preço 13 Euros. (branco)
(...) de Touriga Franca (ao tempo ainda Touriga Francesa), Touriga Nacional e Tinta Roriz, com forte maceração e temperatura controlada. De cor rubi, (...), tem aroma castiço de fumeiro (muito bom), e algumas especiarias resultantes do estágio de seis meses em barricas de carvalho. Volumoso, é de sabor aveludado e de não muita acidez. O gosto é um tanto herbáceo. Persistente. Preço 15 Euros (tinto)

DNa, 09.11.02

Confrontos no centro de Díli


Incidentes entre membros das Forças de Defesa de Timor-Leste e da polícia provocaram dois feridos e algumas detenções. Calma já está restabelecida
Notícia integral do DN (este link apenas funcionará enquanto o DN o mantiver)

quinta-feira, 7 de novembro de 2002


Anedota da semana


São necessárias duas legislaturas para fazer de Portugal um dos países mais avançados da Europa

José Manuel Durão Barroso, Primeiro-Ministro português, 5 de Novembro de 2003

terça-feira, 5 de novembro de 2002


Sabadabadu


Uma atenta visitante do Sítio de Timor teve o cuidado de me apontar algo de terrivelmente faltoso: desde Quarta-Feira, 30, que não colocava neste blogger nada de novo. Com certeza, tem carradas de razão. Pois cá vai: o célebre Hotel Makota foi re-inaugurado, agora sob a alta e original designação de Hotel Timor, e sob o não menos prestigiado patrocínio do industrial e "chevalier d'industrie" Mr. Stanley Ho.
Fontes geralmente bem informadas, e outras igualmente nem por isso, garantem que não tarda nada vamos ter Casino por aquelas bandas.
Ai que grande alegria. Aqui fica o reparo, pois.
Desejam-se as melhores venturas aos afortunados, em suas apostas e noitadas, e auguremos um radioso futuro ao jet-set diliano.

quarta-feira, 30 de outubro de 2002

Foto da semana


Em tempos não muito distantes, havia neste "blogger" uma foto engraçada por semana. Depois, os visitantes foram de férias, houve o 11 de Setembro...
Enfim, esta pérola da Lingua Portuguesa merece uma espreitadela.

terça-feira, 29 de outubro de 2002

download do dicionário interactivo

Dicionário


Excelente ferramenta: dicionário on-line Português/Tétum e Tétum/Português, da autoria de Carlos Guerreiro, disponível no site http://linguastimor.planetaclix.pt/inicio.htm.
Já pedi autorização para publicar este dicionário interactivo no Sítio de Timor mas, entretanto, já o pode utilizar se fizer "download" com um click AQUI, ou no búzio lá em cima.

segunda-feira, 28 de outubro de 2002




eu conheço-te!

(enviado por Deolinda Peralta)

sábado, 26 de outubro de 2002





(enviado por V.P.)

quarta-feira, 23 de outubro de 2002

Grupo Lorosae - Agenda



Ferramentas para todos os que se interessam por Timor

O grupo/lista Lorosae vai avançando.
Já em funcionamento a Agenda, onde os participantes podem consultar os eventos relacionados com Timor. Podem também (e devem) acrescentar aquilo que lhes parecer de interesse geral: exposições, encontros, conferências, cursos, seminários, etc.
Outras "secções" e funcionalidades do grupo são:
  • "newsletter" com actualizações do Sítio de Timor

  • mensagens/avisos/circulares de e para todos os membros

  • "chatroom" própria do grupo

  • inserção de documentos, fotografias e "links" pessoais (até 3 Mb)

  • criação de álbuns fotográficos, em MSNPhotos.com.br (até 30 Mb)

  • convidar outras pessoas a participar

  • personalizar o próprio perfil de participante

  • acesso remissivo e por pesquisa a links de sites, álbuns e outros "webgroups"


Para se inscrever, click AQUI (http://groups.msn.com/Lorosae).


terça-feira, 22 de outubro de 2002

 

EXPOLINGUA PORTUGAL
13º SALÃO PORTUGUÊS DE LÍNGUAS E CULTURAS
CONVIDADO DE HONRA: A LÍNGUA ÁRABE
LISBOA, FORUM TELECOM, 24-26 OUTUBRO DE 2002, 10h às 19h

 
Irá realizar-se de 24 a 26 de Outubro, no Forum Telecom, em Lisboa, a Expolingua Portugal - 13º Salão Português de Línguas e Culturas.
Este evento dedicado à divulgação do ensino e aprendizagem de línguas, à formação e educação, engloba um Salão, com expositores em stands, e um Programa Cultural com vários workshops, palestras e manifestações culturais dedicadas ao mundo das línguas.
Tanto a assistência às sessões do Programa Cultural como a entrada no Salão são livres.
Alguns destaques:

Sessão Inaugural - Apresentação da Expolingua Portugal e da Língua Convidada
Dia 24 de Outubro, Auditório 1, 10h
A Presença Árabe em Portugal
Profª Doutora Mª José Ferro Tavares - Reitora Univ. Aberta
Dia 25 de Outubro, Sala B2, 16h
"A Europa face às Migrações" - Encontros Literários
Moderadora: Drª Clara Ferreira Alves - Casa Fernando Pessoa
Dia 25 de Outubro, Auditório 1, 18h 30m
Mirandês: uma Língua e uma Cultura Portuguesas
Dr. Amadeu Ferreira - Presidente da Associação de Lhéngua Mirandesa
Dia 25 de Outubro, Sala B2, 18h
Entrega do Grande Prémio de Tradução Literária
da Ass. Portuguesa de Tradutores e PEN Clube Português
Dia 26 de Outubro, Auditório 1, 18h 30m
Colóquio “Língua, Educação e Identidade”
Coordenador/Moderador: Andreas Staab (European Policy Information
Centre)
Moderador: Dr. Nuno Rogeiro (Professor Universitário)
Dia 26 de Outubro, Auditório 1, 10h
"Fernando Pessoa a duas vozes: em Português
e na respectiva tradução em Neerlandês"
Lut Caenen/Filipe Ferrer (actor e autor) - Embaixada Real dos Países Baixos
Dia 24 de Outubro, Sala B2, 17h
Pode consultar o Programa Cultural completo, o programa "A Europa face às Migrações" e a lista de expositores em www.expolingua.pt
 
Atentamente,
 
A Organização
Expolingua Portugal
Rua da Esperança, 4 - 2º
1200-657 Lisboa
Portugal
Tel: 21-396 60 89
Fax: 21-396 62 23
Email: info@expolingua.pt

segunda-feira, 21 de outubro de 2002

Rebeldia juvenil tem causa



Chegam à puberdade e entram numa espécie de descontrolo, difícil de controlar e perceber: tornam-se arrogantes, impulsivos, instáveis. Pode haver excepções, mas o período da adolescência é quase sempre o mais angustiante para os pais e para os próprios jovens.

Neurologistas da Universidade Estadual de San Diego afirmam que a rebeldia típica da juventude se deve a um aumento da actividade nervosa do cérebro. Facto que dificulta o processamento adequado das emoções, inibindo a capacidade de compreensão das situações sociais.

Conhecer a origens do fenómeno é a parte boa da notícia. A má é saber que estas alterações duram entre os 11 e os 18 anos.





Robert McGivern e a sua equipa verificaram que, quando as crianças entram na puberdade, diminui a capacidade de reconhecerem rapidamente a emoção dos outros.



O estudo, publicado na New Scientist, recorre também aos resultados de outras pesquisas que detectaram que a interacção dos nervos, sobretudo no córtex pré-frontal, aumenta na puberdade.

A equipa de McGivern testou a capacidade de jovens entre os 10 e os 22 anos de julgarem emoções expressas em imagens e palavras. Verificaram que ela se alterava com a idade. Ou seja, pelos 11 anos a velocidade com que identificavam emoções, como a tristeza ou a felicidade, desceu 20%. Percentagem que só foi recuperada por volta dos 18 anos. Resultado: «os jovens vivem situações emocionais mais confusas, adoptando comportamentos petulantes e instáveis», sintetiza McGivern.

DN, 20.10.02


foto de elnorte.com






sábado, 19 de outubro de 2002

Hau la hatene


Macacos me mordam. Sua Eminência o Bispo D. Ximenes Belo está em Portugal. A Agência Lusa dá notícia do evento.
No Telejornal da RTP1, Sua Eminência disse que "os problemas não se resolvem nos gabinetes"; referia-se aos políticos timorenses, sendo que, na sua opinião, estes passam demasiado tempo nos ditos, em vez de andarem no terreno e de verem com os próprios olhos a realidade do "povo"; D. Ximenes costuma dizer "povinho".
O que não entendo, repito, é o que trará o novíssimo néctar "Ximenes Belo" ao putativo e presumivelmente almejado bem-estar desse mesmo povinho. Diz a local:
Para contribuir para essa causa, a Adega Cooperativa de Lamego decidiu lançar o vinho de marca D. Ximenes Belo, numa edição especial de mil garrafas de vinho do Porto de dez anos e cinco mil de vinho tinto reserva e de vinho branco.
Macacos me mordam. Peço desculpa se me estou repetindo.
O presidente da adega, José Manuel Santos, disse à Agência Lusa que as garrafas poderão ser adquiridas no hipermercado E. Leclerc, de Lamego, numa pensão de Ferreirim e na própria adega, revertendo mais de 50 por cento do lucro para Timor.
Definitivamente, não entendo. Devo ter alguma coisa esclerosada entre as orelhas. 50 por centro... "do lucro"? Ora, portanto, bem, vejamos: lucro é a diferença entre receitas e despesas. Como e quando se apura o "lucro" de um vinho? Quando acabarem os tais dez anos? Quando a "reserva" se esgotar, a branca e a "tinta"? Ou ele é já, distribuem-se as garrafitas, apuram-se os resultados e toma lá 50%?
Bem sei que o vinho até é coisa bíblica, e etc. e tal. Mas branco e tinto, e reserva, e do Porto? Olhe, traga-me um Ximenes Belo branco Reserva 2002, fáxavor?
Macacos me mordam se entendo o que tem isto a ver com o povinho timorense.
Tchim-tchim ao ridículo.






Empresários, políticos e amigos de Lamego ajudam o novo país (Agência Lusa)
Governantes voam muito e esquecem as populações - D. Ximenes Belo (Agência Lusa)
Vinho D. Ximenes (DN)*
Bispo de Díli pede ajuda a Portugal (DN)*
fotografia de Diário de Notícias/Agência Reuters
(* - disponíveis enquanto estiverem on-line no site do DN)

Notas de rodapé
- O sr. Bispo diz: «Pode ser que, com a vossa ajuda, em vez de uma folha de palmeira, possamos ter uma folha de zinco para proteger as crianças contra a chuva e contra o frio.»
Zinco, sr. Bispo? ZINCO???
- «Não exijo que volte daqui com o bolso cheio de verbas».
Ora ainda bem que não exige.
- Um dos seus sonhos é abrir um asilo, porque «os velhos são as pessoas mais abandonadas de Timor».
Pelo pouco que vi em Timor, uma das instituições mais espantosas da Cultura timorense é a veneração pela velhice, o respeito pelos mais velhos (katuas). Digo eu.
Há de facto aqui muita coisa que hau la hatene. Lacuna minha, por certo.

sexta-feira, 18 de outubro de 2002

Alkatiri e Ruak em Lisboa, hoje


Chega hoje a Lisboa o Primeiro-Ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri, acompanhado pelo brigadeiro Taur Matan Ruak e outros membros do Governo.
Na agenda, reunião com militantes da Fretilin em Portugal, a realizar no próximo Domingo 20.

(informação de Anabela Alves, via HC do site)
Notícia DN 21.10.02 *


quinta-feira, 17 de outubro de 2002



A Fundação Mário Soares leva a efeito exposição "Timor-Leste". É uma ideia para o seu próximo fim-de-semana, até porque, na porta ao lado, tem o "atelier" da APLS, onde pode ver (e comprar, se quiser) artesanato timorense.
A FMS fica em frente à Assembléia da República. Em Lisboa, claro.

Endereço postal:
Rua de S. Bento, 176
1200-821 Lisboa
Portugal
Telefones:
(+ 351) 21 396 41 79 / (+ 351) 21 396 41 85
Fax:
(+ 351) 21 396 4156
Emails:
Dr. Mário Soares: msoares@fmsoares.pt
Geral: fms@fmsoares.pt
Arquivo, Biblioteca e Internet: arquivo@fmsoares.pt
Internet: http://www.fmsoares.pt


Esta exposição tem por lema a nossa vitória é apenas questão de tempo - memória da resistência do povo de Timor-Leste, é principalmente fotográfica e documental, ainda não foi oficialmente inaugurada mas já pode ser visitada. Aliás, há mais motivos de interesse para visitar a FMS, nomeadamente a possibilidade de utilizar gratuitamente o acesso à Internet.

Fotos de Henrique Braga


Henrique Braga publicou um álbum de fotografias muito completo (95). Tiradas em Timor durante a(s) sua(s) última(s) expedição(ões), complementam os outros álbuns já publicados, com material dos anos 50/60/70 (e mesmo anteriores), a colecção de selos do tempo colonial, postais e fotos antigas.
(no caso das colecções de selos, postais e fotos antigas, se lhe for pedido, o username é hbraga e a password é loriko)

quarta-feira, 16 de outubro de 2002




Grupo Lorosae


Ao princípio, confesso, a intenção era apenas provar e comprovar a vacuidade, a dispersão, a "demasiada" variedade e o desperdício de esforços que representa a incrível profusão de "newsgroups" (grupos de discussão) sobre Timor. Para criar mais uma capelinha, basta abrir o espaço e escrever aos amigos dizendo qualquer coisa como "eh, pessoal, já tenho meu próprio grupo, inscrevam-se, tchauzinho". E era (e é) vê-los, um grupinho em cada esquina virtual, brasileiros com brasileiros, portugueses com portugueses, uma coisa levada ao extremo, quase bairro a bairro, rua a rua, em competição pelo maior número de mensagens ou pela maior sonoridade dos nomes inscritos; o resultado prático disto é, simplesmente, ridículo: para estar "a par", é necessário correr as capelinhas todas e ler, em cada uma delas, sempre as mesmas coisas. Redundante, é o mínimo que se pode dizer.

Com o tempo, e depois de me aperceber das potencialidades das ferramentas MSN - as quais praticamente ninguém utiliza, nesses tais grupinhos - este novo grupo de um só elemento (!) acabou por se transformar em algo de útil, espero: permite, além de rectaguarda e de alternativa técnica do Sítio de Timor, facultar ferramentas de trabalho a todos aqueles que se interessam pela questão timorense. Mesmo os acessos aos tais grupos, não a todos os mais de 50, mas à maior parte deles, pode ser feito a partir dali; os inscritos em Lorosae poderão consultar agenda de eventos, receber "newsletter" automática sobre novidades no Sítio de Timor, enviar circulares aos outros membros, conversar na "chatroom", ter acesso remissivo a álbuns fotográficos e documentos, aceder aos próprios serviços da MSN, e mais umas quantas utilidades que se desenvolverão com tempo e trabalho.

Para se inscrever na lista, click AQUI.


domingo, 13 de outubro de 2002

Se pudesse resignava hoje mesmo!


JOÃO PEDRO FONSECA (DN, 09.10.02)



Que balanço faz dos cinco meses de Timor independente?

O balanço que faço não é material. Tem havido um grande esforço, embora lento, de pôr as instituições a funcionar. O Governo e os seus departamentos têm tentado tudo por tudo.

Disse que a independência não é fácil, que implica dúvidas. Quais?
Em muitos planos. A primeira é sobre nós mesmos como seres humanos. É fácil fazer discursos políticos. É fácil dizer que estamos comprometidos a fazer isto, ou aquilo, a servir... Há um sacrifício que não se mede. No passado podia morrer-se. No passado era tudo uma obrigação. Um dever. Hoje há outra obrigação. Não podemos abstrair-nos de que há a obrigação de reconstruir uma vida. E depois vêm as ambições, o egoísmo, o conforto, toda uma série de desafios que podem dificultar, desvirtuar o trabalho que cada um tenta prestar...

Defendeu que Timor vai tentar não cometer erros de outros países. Às vezes o poder esquece-se do povo...

É verdade. devo dizer que na cimeira da ACP em Fiji notei uma coisa interessante. Nunca pensei que a diversidade de regimes líderes do Terceiro Mundo usassem uma linguagem comum. Os governantes estão a procurar mudanças. Podemos compartilhar valores universais. Vi com satisfação que alguns governantes queriam dar-me conselhos: «Tenham uma boa governação, sejam transparentes, dêem valor aos direitos humanos, façam florescer a sociedade civil, combatam a corrupção...» e eu, perguntava, de onde são, e afinal eram de países onde todos os males acontecem. Interessante que partilhamos uma linguagem, valorizamos os mesmos princípios. É um alerta permanente para nós. Países que se tornaram independentes há 40 anos onde não se produziu muito, se criou uma elite intelectual e economicamente faustosa e o povo continua a sofrer. Queremos recordar todos os dias que a ambição pode cegar, que o egoísmo pode aparecer e fazer esquecer compromissos políticos ou idealismos...

Lembro-me que Xanana na sua campanha às presidenciais prometeu que iria sempre lembrar aos governantes que o povo tem aspirações...

Estou a tentar. Procuro cumprir a minha promessa. Dar uma direcção ao povo, dizer-lhes que a nossa Constituição está feita, que o povo tem o direito de participar, de exigir mudanças.

Diria que os políticos se sentem frustrados por não conseguirem cumprir os anseios do povo?

Não posso responder. Há uma sensação de que precisamos de tempo. Pedimos paciência ao povo, mas isso não significa que se tenha de fechar a boca ao povo. Vamos continuando a tentar influenciar a opinião pública a responder melhor às suas responsabilidades. É importante que o povo possa ter uma voz e desde o início possamos corrigir os erros.

Desde há muito que diz que não gostava de ser Presidente. Agora que está no cargo há cinco meses sente-se realizado, ou ainda insiste que gostava de voltar à agricultura, tirar fotografias e escrever poesia...

Se pudesse resignava hoje mesmo! Continuo a dizer ao povo que fui obrigado a ser Presidente, fui escolhido por eles mas não quero ser Presidente. Mas podem contar comigo na defesa dos seus interesses.
UNTAET deveria ter preparado os timorenses mas não o fez

Tem havido agitação social?

Há muitas esperanças, anseios, mas nada de grave.

Faltam ainda necessidades básicas, falta o emprego, a população compreende isso, ou anda revoltada?
Tem compreendido. Temos feito um grande esforço. Os dois anos da UNTAET foram fundamentais para os timorenses entenderem as dificuldades do processo. Leva o seu tempo, é preciso compreensão.

Timor ainda continua a precisar de ajuda externa. Que ajuda?

Precisa e tem. Quando falamos de ajuda referimo-nos a apoio em termos de assistência, meios humanos. A UNTAET deveria ter sido um período de preparação dos timorenses, mas não foi exactamente isso. Foram dois anos e meio dedicados a manter a segurança e a preencher um vácuo na administração. Só agora é que os timorenses tiveram a oportunidade de mostrar as suas capacidades em termos de poderem tomar decisões e poderem errar.

O julgamento em Jacarta que absolveu seis militares indonésios e condenou com pena leve Abílio Osório Soares, prejudicou as relações institucionais com Jacarta?

Não prejudicou. Nós manifestámos o nosso descontentamento com a comunidade internacional. Eu não diria que a pena a Abílio Osório foi demasiado leve. Critiquei porque nós convivemos com a Indonésia e sabemos como funciona o sistema. Os civis não mandam, os militares é que decidem. Nas províncias os militares mandavam mais que os governadores e ainda por cima nos acordos de 5 de Maio a Indonésia compremeteu-se a responsabilizar-se pela segurança. Não concordo com uma sentença que só condena um civil.

Deixou essa questão ao nível dos tribunais. Não assumiu essa sentença como um problema político com a Indonésia?

Não foram afectadas as relações. Mantemos o respeito mútuo de não interferência nos assuntos internos. E esta é uma questão da comunidade internacional da credibilidade da justiça indonésia.

O mais recente conflito de Timor foi com a Austrália. Na definição de fronteiras marítimas. O petróleo continua a ser um problema para Timor, uma fonte de outros conflitos?

Não quero imaginar isso. Acontece que há divergências em relação às fronteiras. Nós não exigimos muito, nem mais um milímetro do que o Direito Internacional nos confere. É nesse sentido que vamos exigir os nossos direitos. Mas como bons vizinhos que somos não podemos evitar certas divergências, em questões económicas. Acreditamos que diferenças existem, mas a solução estará sempre na compreensão e respeito mútuo.

Alertou a comunidade timorense em Portugal para a necessidade de técnicos no território. Como consegue convencê-los a voltar?

Não chamamos todos os timorenses de volta. Até porque não temos condições para os receber, emprego, habitação, condições. O meu apelo é aos técnicos. Aos profissionais que fazem falta agora, na construção. Conhecemos médicos, muitos técnicos que estão bem aqui e não estão motivados a voltar. Devem ter consciência que agora é mais necessário dar que receber. Mais importante servir do que ser servido. Mais um sacrifício...

terça-feira, 8 de outubro de 2002

Ver





Sent: Tuesday, October 08, 2002 4:01 PM

Subject: iniciativa



Caro Senhor,


No Sítio de Timor existe uma página de iniciativas. O seu apelo poderá constar dessa página (aliás, de imediato publicarei no "blogger" e na página de correspondência do site a mensagem recebida através de Anabela Alves), desde que alguém se comprometa a enviar, periodicamente, uma lista dos donativos recebidos e, posteriormente, digitalizações dos documentos de despesa respeitantes à intervenção cirúrgica e outros actos médicos necessários. Além disto, e por motivos óbvios, seria também necessário que o site fosse avisado quando se atingir a verba necessária, ou quando a iniciativa deixar de fazer sentido.


Estas precauções e lisura de processos justificam-se, para além do cuidado normal que deve motivar a frequente ocorrência de acções fraudulentas, pela experiência do próprio site: algumas iniciativas e apelos não passam, infelizmente, de brincadeiras (de inqualificável mau-gosto, para dizer o mínimo) ou de pura extorsão por parte de indivíduos sem quaisquer escrúpulos.


Nesta conformidade e nestes pressupostos, o Sítio está ao dispor, na esperança de que se consiga resolver a contento o problema da pessoa em causa.


Cumprimentos.

João Pedro Graça




A mensagem recebida foi a seguinte:


From: Alberto Cruz alberto.cruz@netvisao.pt
To: Undisclosed-Recipient:
Sent: Saturday, October 05, 2002 9:24 PM
Subject: Fw: Um acto concreto de solidariedade

Subject: UM ACTO CONCRETO DE SOLIDARIEDADE
INVESTIR NUNS OLHOS

Companheir@s e Amig@s,
Escrevemos a título pessoal para vos convidar para, connosco, resolvermos um problema concreto de que tivemos conhecimento directo.
Estivemos em Timor-Leste, a título privado, em Maio/Junho deste ano, convidados pelo Xanana e pelo comandante Taur Matan Ruak a assistir à festa da Independência. Foi para nós uma experiência humana extraordinária.
O comandante Ruak e a mulher, Isabel, levaram-nos um dia de passeio por uma região do país, e levaram com eles um jovem amigo (16/17 anos) que evava uma viola. Levamos comida e almoçamos numa praia. Aí o jovem começou a tocar e cantar, e só então reparamos que ele era cego.
Perguntamos se o rapaz era cego de nascença, e o Ruak disse que não: quando ele era pequenino, durante a ocupação indonésia, alguém deu aos pais eles um pó de sulfamidas para lhe curar uma forte conjuntivite que tinha nos olhos. Mas os pais, gente muito pobre e perdida no meio do inferno, pensaram que era para aplicar nos olhos, e, em vez de lhe darem o remédio pela boca, aplicaram o pó directamente na vista. O menino cegou. E cego ficou.
Impressionados com a história perguntamos ao comandante Ruak se a cegueira dele era operável. E é. Pedimos-lhe que se informasse e nos dissesse quanto dinheiro é preciso para devolver a vista ao jovem músico. Ele acaba de me escrever para me informar que vão ser precisos cerca de 10.000 dólares, cerca de 10.000 euros, 2.000 contos (duas idas/estadias Dili-Darwin e Dili-Sidney, incluindo um acompanhante, mais os gastos da operação e do hospital.
Vamos tentar conseguir ? O Ruak vem a Portugal de 21 a 25 de Outubro, acompanhar a viagem do primeiro-ministro Mari Alkatiri. É o bom momento para lhe entregar o dinheiro...
Isto não resolve os problemas do mundo, nem sequer os de Timor-Leste. Mas é um gesto concreto. Se vos perguntarem por esse dinheiro, respondam:"investi-o
nuns olhos em Timor-Leste".
Propomo-vos portanto, caso concordem e possam, que façam os vossos depósitos numa conta que está actualmente a zero, que é a seguinte:

Barclays Bank - balcão Lumiar/Lisboa
titular: José Mário Monteiro Guedes Branco
NIB: 0032 0114 0020 0513 15506
repito o NIB (com outra digitação): 003 201 140 020 051 315 506

E não se esqueçam de me enviar e-mail a dizer quanto e quando depositaram, para eu controlar e para fazer a lista dos intervenientes (para o rapaz saber quem foi).
E passem esta mensagem aos vossos amigos e familiares.

Manuela de Freitas e José Mário Branco.
mailto : josemariobranco@netcabo.pt


segunda-feira, 7 de outubro de 2002

Viva eu




«Precisamos de novos heróis em Timor-Leste»

Xanana apelou à «sua» comunidade timorense para apostar mais na formação tecnológica

Estava tudo a postos para o grande momento. Depois, os batuques soaram. As danças rituais começaram. E Xanana Gusmão entrou triunfalmente na Faculdade de Psicologia de Lisboa, onde a comunidade timorense aguardava, ansiosa, a chegada do seu presidente, que cumpre a primeira visita oficial a Portugal.

«Todos lutámos, todos sofremos, todos gritámos durante 25 anos, sem imaginar o que seria construir a nossa independência», começou Xanana, falando de pé para a pequena multidão que ontem encheu a sala para lhe beber as palavras _ e para sentir Timor mais próximo. Para eles, continuou:

«Hoje digo-vos que a independência é um processo longo. Precisa do vosso compromisso de cidadãos. Precisada vossa vontade. Precisa de um novo espírito nacionalista e de suar bastante para não ter que continuar a depender da boa vontade dos nossos amigos.»

O mote estava lançado. A comunidade seguia (e sentia) atentamente os problemas do seu país. Xanana puxava do seu carisma para mobilizar os jovens que estudam em Portugal _ e convencê-los a «estudar com afinco» para «poderem levar o futuro» a Timor-Leste.

«Antes éramos atacados e sabíamos como enfrentar o inimigo. Mas hoje somos nós o nosso pior inimigo e temos que aprender a enfrentar-nos a nós mesmos», advertia o chefe de Estado timorense, sublinhando: «Temos tudo para construir. Somos uma comunidade radicada em Portugal, com deveres não só para com o país em que estamos, mas também para com o país a que pertencemos.»

Soluções? «Há que cuidar da justiça e educar a sociedade civil para a democracia. Sabermos trabalhar e ser humildes para conseguirmos formar bons operários. Fazer com que os jovens percebam que doutores e engenheiros pouco podem fazer por Timor nesta altura, e que por isso devem apostar na especialização em cursos profissionais e tecnológicos.»

O convite a «prestar algo de bom à Pátria» ficou feito. Aos que sabem ler e escrever. Ao povo. Aos amigos. «Foram todos qualquer coisa de magnífico no passado. Conto convosco para responder às necessidades dos mais vulneráveis, para servirem, mais que exigirem. Precisamos de novos heróis.»
foto e artigo publicados no Diário de Notícias de 07.10.02





Xanana surpreende pelo desassombro. Não é de facto um "político", no que esse termo encerra de mais tradicional e medíocre.
Citando de memória:

Frases célebres



  • Temos demasiados estudantes vitalícios e bolseiros profissionais

  • Temos "jovens" estudantes que são jovens e estudantes toda a vida!

  • No nosso Parlamento, discute-se qual é a idade em que deve terminar a juventude; acho que devia ser aos 19. No máximo, aos 25 anos

  • Dantes o inimigo era a Indonésia, hoje o inimigo é cada um de nós. Nós somos o inimigo.

  • (apontando alguns quadros timorenses na sala, um a um)Temos de acabar com esta vergonha, vocês têm deveres para com o vosso país; é a hora de regressar e ajudar na reconstrução

  • Se o vosso país apenas vos pode oferecer 20 dólares por mês, o vosso dever é aceitar; não é pedir, e muito menos exigir, mais do que é possível

  • A Justiça é um sector fundamental em qualquer sociedade democrática; Timor precisa de Juízes. Lá, não aqui. Não é, Sr. Doutor?(apontando para um Juíz timorense que reside em Portugal)

  • Ainda estava no mato e já lia sobre a "diáspora timorense"; diáspora? DIÁSPORA??? Mas que raio quer dizer diáspora? Não sabia o significado da palavra; pensei que era alguma organização mafiosa

  • Nós somos uma comunidade num país estrangeiro, não uma organização mafiosa

  • Dantes era "Viva Timor-Leste", hoje é "viva eu"


No período de perguntas e respostas, um "jovem estudante" timorense, de chapéu na cabeça, protestou: bem tentaram, ele e outros, ir para algum país europeu mais evoluído. "Em último recurso, acabamos por vir parar a Portugal". Entre risota geral, ainda pediu desculpa pelo seu mau Português: "eu não tenho medo de falar mal Português, nem tenho orgulho nenhum em falar bom Português". Não entendi lá muito bem, mas deve ser lacuna minha.
Pelos vistos, este jovem estudante há-de ter alguma razão: Portugal não conseguiu sequer transmitir-lhe um mínimo de educação. Xanana é que não se sentiu nada desrespeitado com o chapéu na cabeça, nem com os insultos ao país que o acolheu, e respondeu tintim-por-tintim às questões do jovem, qualquer coisa sobre "qualidade", "emigração", "quadros".
Como estava um calor insuportável na sala, tive de sair. Por isso, já não assisti a mais.
Saúde e longa vida, Presidente!


fotografia de Anabela Alves

sexta-feira, 4 de outubro de 2002


Ficheiros secretos, e-xfiles



Logo que possível, vou escrever código em todas as páginas de correspondência, de forma a impedir a leitura e indexação automáticas dos endereços de e-mail. Só ainda não o fiz por manifesta falta de tempo.
Ok, rapaziada, hem? Tenham lá mais um bocadinho de paciência, tá? Eu sei que isto é grave, que horror, mas enfim. A propósito dos visitantes e remetentes que estão muito preocupados por os seus endereços de e-mail aparecerem no Sítio de Timor, vá-se lá saber porquê, bálhamedeus, ele há coisas mais estranhas, primeiro eram as toalhinhas nas janelas e os lenços a acenar, ai-ai, tenho uma lágrima no canto do olho, yô, agora tirem lá o meu nome, apaguem o meu endereço, bolas, caramba, mas que é isto, ó pra mim aqui neste saite da treta, chamem a polícia. E, no entanto, porém, contudo.

Digo eu

***** Não é por os endereços aparecerem ou não que as pessoas recebem mais ou menos "junk mail"; pelo menos, de forma relevante; é também e principalmente por não terem filtros de recepção (message rules) e por se não darem ao trabalho de anulação automática nos remetentes. Além disto, existem outras formas de captação automática de endereços; sem message rules, ninguém está livre de "junk mail"; e nem assim completamente.

***** Continuo a achar um exagero todo este "cuidado" e preocupação com assunto tão insignificante. Não se pode comparar a "tremenda trabalheira" que dá apagar mensagens indesejadas (carregar no botão "Del") com o trabalho "corte e costura" de transcrever as mensagens dos visitantes, eliminando elementos de identificação, em código html, e ainda por cima com excepções individuais e regras a pedido.

***** Os visitantes que escrevem para o Sítio de Timor também o fazem, provavelmente, para dezenas ou centenas de outros endereços, nunca utilizando qualquer espécie de encriptação; por conseguinte, os seus endereços electrónicos podem sempre ser captados, de diversas formas. A alternativa ao "sacrifício" de virem a receber correio indesejado, por terem o seu endereço publicado, é acabar com as páginas de correspondência. Como estas são absolutamente fundamentais, isso equivaleria a acabar com o próprio site.

***** Se uma mensagem dirigida ao site contiver a menção de "pessoal", ou "particular", ou se, de alguma forma, manifestar a intenção de não-publicação (conforme está claramente expresso à cabeça de todas as páginas de correspondência), essa mensagem não será obviamente publicada. Solicitar "apagamentos" a posteriori é que me parece já um pouco abusivo, descabido e desnecessário - até porque entretanto já os programas "spider" dos motores de busca indexaram os respectivos endereço e conteúdo.

***** A internet é muito menos segura do que a maioria das pessoas imagina. A simples aceitação de cookies, a não existência de qualquer tipo de firewall ou a leviandade e desconhecimento técnicos, evidentes e inerentes a qualquer utilizador comum, tornam qualquer tentativa de restrição pessoal e pontual - como aquelas que recentemente surgiram no site - em algo de ridículo, e sem qualquer resultado prático.

***** http://timor.no.sapo.pt não é um site institucional. Não está por isso obrigado a (nem tem meios para) produzir grandes sistemas de segurança, "privacy policy systems". Evidentemente, ninguém é obrigado a entrar no site, a identificar-se ou a enviar mensagens; dado o carácter do site, o anonimato apenas é aceitável em casos muito excepcionais; caso contrário, melhor seria fazer tábua-rasa de coisas como idoneidade, responsabilidade, curialidade, educação e civismo. Dito de outra forma, a haver anonimatos, então que fossem a regra e não a excepção; e isso seria a Lei do Vale-Tudo. Não aceitar anonimato é um critério, desde o início.

***** Teorias da conspiração à parte, não confundamos agora duas ou três parvoíces de outros tantos visitantes, porque suponho que até eles têm uma vida, com todos os outros milhares. Mas não deixa de ser significativo: o que era antes e o que é agora; as modas que passam; os incríveis, e agora comummente aceites como valores, comodismo, laxismo, egoísmo e consumismo que estas pessoas demonstram com tal "exigência". Pessoalmente, não me interessam os nomes e os endereços para nada. As listas para "junk-mail", não sou eu quem as faz.

***** Por fim: deixa de haver qualquer motivo para "receios" quando a esmagadora maioria dos endereços de-mail é de fornecedores como a www.yahoo.com, a www.mail.com, a www.mail.pt ou qualquer uma das outras centenas de possibilidades. Não havendo POP3, a identificação é apenas a que o utilizador quiser.

quinta-feira, 3 de outubro de 2002




Subject: FW: WHAT I AM THANKFUL FOR ......



THE PARTNER WHO HOGS THE COVERS EVERY NIGHT,
BECAUSE HE IS NOT OUT WITH SOMEONE ELSE.

THE CHILD WHO IS NOT CLEANING HIS ROOM, BUT IS WATCHING TV,
BECAUSE THAT MEANS HE IS AT HOME AND NOT ON THE STREETS.

FOR THE TAXES THAT I PAY,
BECAUSE IT MEANS THAT I AM EMPLOYED.

FOR THE MESS TO CLEAN AFTER A PARTY,
BECAUSE IT MEANS THAT I HAVE BEEN SURROUNDED BY FRIENDS.

FOR THE CLOTHES THAT FIT A LITTLE TOO SNUG,
BECAUSE IT MEANS I HAVE ENOUGH TO EAT.

FOR MY SHADOW THAT WATCHES ME WORK,
BECAUSE IT MEANS I AM IN THE SUNSHINE.

FOR A LAWN THAT NEEDS MOWING, WINDOWS THAT NEED CLEANING, AND GUTTERS THAT NEED FIXING,
BECAUSE IT MEANS I HAVE A HOME.

FOR ALL THE COMPLAINTS I HEAR ABOUT THE GOVERNMENT,
BECAUSE IT MEANS THAT WE HAVE FREEDOM OF SPEECH.

FOR THE PARKING SPOT I FIND AT THE FAR END OF THE PARKING LOT,
BECAUSE IT MEANS I AM CAPABLE OF WALKING AND THAT I HAVE BEEN BLESSED WITH TRANSPORTATION.

FOR MY HUGE HEATING BILL,
BECAUSE IT MEANS I AM WARM.

FOR THE LADY BEHIND ME IN CHURCH THAT SINGS OFF KEY,
BECAUSE IT MEANS THAT I CAN HEAR.

FOR THE PILE OF LAUNDRY AND IRONING,
BECAUSE IT MEANS I HAVE CLOTHES TO WEAR.

FOR WEARINESS AND ACHING MUSCLES AT THE END OF THE DAY,
BECAUSE IT MEANS I HAVE BEEN CAPABLE OF WORKING HARD.

FOR THE ALARM THAT GOES OFF IN THE EARLY MORNING HOURS,
BECAUSE IT MEANS THAT I AM ALIVE.

AND FINALLY.......

FOR TOO MUCH E-MAIL,
BECAUSE IT MEANS I HAVE FRIENDS WHO ARE THINKING OF ME.

SEND THIS TO SOMEONE YOU CARE ABOUT, AND WHEN YOU THINK YOUR LIFE IS SO BAD,
READ THIS AGAIN.

quarta-feira, 2 de outubro de 2002


Portugal


O Tito(*) é Português, jovem, músico. Toca guitarra clássica e nota-se que tem talento. A bem dizer, nunca larga a guitarra, fala pouco, estuda e ensaia, ensaia e estuda, põe travessão, tira travessão, estuda, ensaia, enruga a testa quando a guitarra faz alguma coisa inesperada. O Tito(*) está quase a acabar o curso do Conservatório.
Encontrei-o há pouco, numa estação do Metro de Lisboa, com uma caixa de cartão aos pés, a tocar, a tocar, a tocar. E que bem ele toca aquela guitarra!
A caixa de cartão ali estava, envergonhada, com umas quantas moedas tímidas. Euros.
No fundo do corredor, já próximo da saída, a guitarra do Tito(*) ouvia-se ainda, orgulhosa e tremendamente portuguesa.
Confesso que, já na rua, me senti reconfortado; não sei porquê, a imagem que me ocorreu foi a dos canhões portugueses do Forte de Maubara. E as ruínas em volta.


(*)nome fictício

segunda-feira, 30 de setembro de 2002

INFORMAÇÕES ÚTEIS QUE NÃO SERVEM PRA NADA!!!

1 - Se você gritar durante 8 anos, 7 meses e seis dias, produzirá energia sonora suficiente para esquentar uma xícara de café... (Acho que não vale a pena!)
2 - Se você soltar pum direto durante 6 anos e 9 meses, produzirá gás suficiente para criar a energia de uma bomba atômica... (Agora sim!)
3 - A pressão produzida pelo coração humano ao bater é suficiente para espirrar sangue a uma distância de 9 metros...
4 - O orgasmo de um porco dura 30 minutos!!! (Na próxima encarnação, quero ser um porco!)
5 - Bater com a cabeça contra a parede consome 150 calorias por hora... (Ainda não consegui esquecer aquele lance do porco!)
6 - Os humanos e os golfinhos são as únicas espécies que copulam por prazer... (É por isso que o Flipper está sempre sorrindo? E por que o porco não está incluído nessa lista?)
7 - A formiga consegue levantar 50 vezes o seu peso, puxar 30 vezes o seu peso e sempre cai para o lado direito quando intoxicada... (O governo pagou por essa pesquisa?).
8 - Os ursos polares são canhotos... (Quem descobriu isso? Quem liga?! Quem pagou pela pesquisa?)
9 - A pulga consegue pular a uma distância correspondente a 350 vezes o comprimento do seu corpo. É como se um ser humano pulasse a distância de um campo de futebol...
10 - A barata consegue sobreviver nove dias sem a cabeça antes de morrer de fome... (Arghhh!!!)
11 - O louva-a-deus macho não consegue copular com a cabeça presa ao corpo. A fêmea inicia o ritual de acasalamento arrancando fora a cabeça do macho... (Vamos voltar ao assunto do porco.... é mais interessante!)
12 - Alguns leões copulam mais de 50 vezes por dia... (Na próxima encarnação, eu continuo querendo ser um porco... Prefiro qualidade a quantidade!!! Mas, se não puder ser um porco, com certeza quero ser um leão!)
13 - O paladar das borboletas está nos pés... (Eu, hein?)
14 - Os elefantes são os únicos animais que não conseguem pular... (Onde está a novidade??)
15 - O olho de um avestruz é maior do que o seu cérebro... (Conheço algumas pessoas assim...)
16 - Estrelas do mar não tem cérebro... (Conheço algumas pessoas assim também!)
17 - E não se esqueça: se alguém encher o seu saco, você precisa usar 42 músculos da face para franzir a testa. Mas, só precisa de 4 para esticar o braço e dar um soco na cabeça desse imbecil! (Mas o porco hein...)


(enviado por T. Soares, como "forward" de Carlos Leone)

Boa notícia


Não há crise em Portugal nos carros de luxo


A crise passou ao lado dos carros de luxo. A prová-lo estão várias encomendas dos novos modelos do Salão Automóvel de Paris. Dois Mercedes Maybach, a 400 mil euros cada, vêm para Portugal, assim como cinco novos Bentley, ao preço unitário de 160 mil euros, além de outros.

(dn:negócios, pg1)


se for por bem, considere-se convidado/a

Convite




Sent: Monday, September 30, 2002 1:06 AM

Subject: Encontro com Xanana



Olá a todos.
Para quem reside em Portugal:
Encontro com S.E. o Presidente da República Democrática de Timor-Leste, Xanana Gusmão com a comunidade timorense,é no dia 6 de Outubro, no Auditório da Faculdade de Psicologia, na Alameda da Universidade, às 16:30.
Um abraço,
Furak



sexta-feira, 27 de setembro de 2002

A República Democrática de Timor-Leste é o 191º membro da ONU



click para ver animação


É uma brincadeira, só pode


Children in East Timor learn Finnish from schoolbooks



Finnish is a neutral language; Portuguese, English and Bahasa Indonesian all relate to the colonial past


By Inkeri Koskela

Children in East Timor may soon surprise an unsuspecting Finnish traveller with short Finnish greetings and instructions, which they have picked up from their Finnish schoolbook, Opin Itse (I'm Learning).
Last year a Finnish publishing house provided East Timor with 220,000 copies of a schoolbook aimed at first and second graders. This is a fairly substantial order from a country with total population of just shy of 800,000. There's a book for every fourth East Timorese.

After the first year the feedback on the Finnish books has been good, report UN officials. Local teachers have been satisfied with the material they chose.
"We did offer to translate the books into some other language, but they insisted on having them in Finnish", reveals Managing Director Pentti Molander from the publishing house of Tammi.
The reason behind the unusual deal was the thorny language question facing East Timor. When the order for schoolbooks was placed, the official language for East Timor had not yet been chosen. As the area used to be a Portuguese colony, the older generation still speaks Portuguese. The generation that grew up during the Indonesian regime, on the other hand, speak primarily Bahasa Indonesian.
The original East Timorese language, Tetum, has a fairly primitive grammar and thanks to eight or nine different tribal dialects, even this language does not unite the population.
The language question surfaced when East Timor, together with the United Nations and the World Bank, started rebuilding the country's educational infrastructure. What would be the language of tutoring? Which language would be suitable for the schoolbooks?

As a result UNTAET (the United Nations Transitional Administration for East Timor) - the body established in October 1999 to administer the territory, exercise legislative and executive authority during the transition period, and support capacity building for self-government - launched a quest at the beginning of 2000 to find a suitable schoolbook series for the new nation.
For the task the World Bank hired Nigel Billany, the CEO of Opifer Ltd, an educational consulting agency within Tammi Publishers. Billany and the World Bank had previously worked together on other projects.
Opifer Ltd found globally around thirty different schoolbook series for newcomers and sent them to East Timor for evaluation. The evaluation team, which consisted of local teachers, finally came down in favour of the Finnish book series.
"The fact that they wanted the books in a politically neutral language definitely contributed to the selection outcome. Portuguese, Bahasa Indonesian, English, and French are all associated with colonialism", Billany explains.
The best asset of the Finnish Opin Itse books is its illustrations. Furthermore, there isn't that much text to the books. The teacher can pretty much decide on the actual language of instruction.
According to Pentti Molander, the total cost of the package was around EUR 85,000 from which the publishers collected a measly EUR 3,300 in profits. The World Bank financed the entire purchase.

Opin Itse books are basically throwaway books. The exercises are completed on the book's pages, which means the same books cannot be used year after year. Billany therefore suspects there will soon be a need for more books.
New books have not yet been ordered and the Finns have not made an offer either. "We have to take it easy. The first year in East Timor has been pretty torn and tattered to say the very least. In virtually everything, the East Timorese have had to start from scratch", Billany explains.
On leaving, the Indonesians demolished three-quarters of the country's infrastructure. Schools and books were burned, and teachers were chased to refugee camps.
The bulk of the country's statistics were also destroyed. Even now, no one knows exactly how many children should start school each year.

Helsingin Sanomat / First published in print 10.9.2002

Ver o original em http://www.helsinki-hs.net/news.asp?id=20020917IE15


----- Original Message -----

From: "Sereia Enigmatica"

To: timor@netcabo.pt

Sent: Friday, September 27, 2002 7:54 PM

Subject: finlandes no Timor



Oi,

Eu fui a informante da notítica sobre o Finlandês em Timor. Por favor, se der para atribuir o crédito,
Enigmatic Mermaid
http://pombostrans.blogspot.com O permalink para o posting é http://pombostrans.blogspot.com/2002_09_22_pombostrans_archive.html#85487852
Super obrigada e por favor avisem se tiverem confirmação ou negação da notícia. Estamos intrigadíssimos!
Abrs cordiais,
ME


(a informação inicial foi prestada por esta visitante através de Live Chat)

quinta-feira, 26 de setembro de 2002

terça-feira, 24 de setembro de 2002


e-groups



Acho que existe na www uma tremenda inflacção daquilo a que se chama "grupos de discussão" sobre Timor. Um ou dois, de cariz generalista, seriam mais do que suficientes, caso reunissem toda a gente interessada; em alternativa, talvez uns quantos mais especializados, por sectores: Cultura, Educação, Política, etc. As coisas como estão, neste particular, implicam apenas uma grande "trabalhêra" para os participantes, que andam a saltitar de grupo em grupo, como as borboletinhas de flor em flor. Não existe nisto qualquer vantagem, prática ou de que forma for, apenas contribuindo para a desmotivação das pobres borboletas.

Mas enfim, as coisas são como são, lá diria Sancho Pança.

Tecnicamente, ao menos, vislumbra-se o fim da execrável Yahoogroups porque, de facto, a MSN é muito mais evoluída. Dois dos mais recentes grupos poderão vir a ter interesse:

Revisitando Timor: especialmente para quem já esteve na ilha, este grupo reune fotos antigas e actuais, e-books, documentação vária.

Timor Leste: genérico, mas recente. Pode ser que venha a concentrar, ou a absorver, muitos dos outros.

23-09-2002 18:02:00 GMT 12:02:00 Hora local. Notícia 4139385

Situação em Timor-Leste é "pior do que antes da independência"



O bispo timorense D. Ximenes Belo apelou aos portugueses para que apoiem mais Timor-Leste, onde a população vive com falta de dinheiro, trabalho e ensino, numa situação "pior do que antes da independência".
O prelado timorense falava aos jornalistas no final de uma audiência com o Presidente da República, Jorge Sampaio, no palácio de Belém, em Lisboa, com quem se encontrou para uma "visita de cortesia", mas a situação de Timor-Leste acabou por ser abordada durante quase uma hora.

O bispo de Dili enumerou problemas de falta de segurança, de falta de trabalho, a crise na agricultura, por causa da peste nos coqueiros, em Baucau, e a necessidade de intensificar o ensino do português.

"Lutámos 24 anos pela independência. Mas que tipo de independência é esta? Nós estamos agora pior do que antes", é a queixa mais frequente que o bispo tem ouvido do povo timorense, desde Maio, quando o território se tornou uma nação de pleno direito.

Lusa

sábado, 21 de setembro de 2002




Teses


Já não é a primeira vez. Ou pelo apetecível (?) do tema ou por outra qualquer e misteriosa razão, de vez em quando aparece alguém no Sítio pedindo elementos para uma "tese" ou para um "estudo" que está a fazer sobre assuntos timorenses; regra geral, os elementos pedidos são coisas muito simples e questões que se respondem em meia-dúzia de palavras, género como vivem os timorenses ou de que modo influencia a Igreja Católica a tradição local; por pouco não nos perguntam qual o significado da vida, que minerais existem no solo da Ilha do Crocodilo, exactamente a 525 metros de profundidade, ou, mais prosaicamente, por exemplo, como se processa uma relação sexual no mundo dos sáurios em geral.
Analisado o pedido de "elementos", o passo seguinte é reencaminhar a mensagem para alguém com maior e mais adequado conhecimento de causa; da causa em questão, evidentemente. Isto implica incomodar as pessoas e, para estas, quando manifestam vontade de corresponder, trabalho, compromissos, reuniões, investigação.
É inadmissível, para não dizer indecente, que os interessados - para além de nem sequer agradecerem - pura e simplesmente ignorem compromissos (marcações, reuniões), não respondam a mensagens e, ainda por cima, se comportem como se estivessem a fazer um grande favor. Chamando os bois pelo nome, é nojento que se persista em abordar as questões timorenses por pura jactância, porque fica bem nos currícula, para armar aos cucos, enfim.
O que acontece sistematicamente (ver o último caso ilustrativo na correspondência de 20 de Setembro) é que as pessoas interessadas se... desinteressam (!) assim que se marca uma reunião ou alguma coisa que lhes dê, a essas pessoas (as interessadas!), um módico de trabalho. Não. Querem a papinha toda feita e entregue à porta de casa, ainda quentinha. Não se ralam. Depois de obtidos os tais "elementos", desaparecem imediatamente e nunca mais dizem água-vai. Um desses casos está nos primórdios do fórum (18.09.01 e seguintes).
Para que isto não volte a acontecer, declaro aqui e desde já que mensagens de teor semelhante passarão, a partir de agora, a ser pura e simplesmente respondidas com um seco "não temos tempo para fazer o seu trabalho", ou fórmula semelhante.
Para toda gente que se dedica às questões timorenses, é um insulto o menosprezo e a frivolidade com que o seu trabalho é encarado.
Para mim, pessoalmente e falando com absoluta limpidez, detesto parasitas; e mais ainda os de toga.

segunda-feira, 16 de setembro de 2002

Últimas



Anúncio: Farmacêutico para Timor-Leste

Publicado no Diário de Notícias de 14.09.02, a Crown Agents recruta um farmacêutico de Língua portuguesa para trabalhar em Timor-Leste. Requisitos: licenciatura em Farmácia, 5 anos de experiência, fluência de Inglês. Enviar CV e carta (em Inglês), até ao próximo dia 25.09.02, para

TRpharmacy@crownagents.co.uk




Notícia: Timor mantém medidas de segurança

Diário de Notícias, 15.09.02: As rigorosas medidas de segurança que, desde quarta-feira rodeiam amissão da ONU em Timor-Leste e as embaixadas australiana e americana mantêm-se, temendo-se atentados terroristas. As medidas foram anunciadas pelo Ministério da Defesa australiano, que impôs alerta máximo às forças australianas ainda em Timor.
«Temos informações credíveis de que há um grupo no sudoeste asiático que poderá realizar actos terroristas em Timor, com carros armadilhados», explicou um responsável militar.




Notícia: Lisboa cede instalações a Timor-Leste

Diário de Notícias, 16.09.02: O ministro dos Negócios Estrangeiros vai entregar hoje, em Nova Iorque, as instalações destinadas à representação de Timor-Leste, que funcionará no interior da Missão Permanente de Portugal.
Fonte oficial do MNE disse à Lusa que Martins da Cruz entregará as instalações - concretizando um pedido de Díli - ao futuro representante de Timor-Leste na ONU, Francisco Guterres.
(...)




click no logotipo para ver todas as notícias da Lusa sobre Timor
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sábado, 14 de setembro de 2002

Filatelia





Belíssima colecção de selos de Timor. Click na figura para ver a colecção completa.
Se lhe for pedido, a "password" é timor.
(trabalho de Henrique Braga)

quarta-feira, 11 de setembro de 2002

11 Setembro 2001



click na bandeira para ver imagens do 11 de Setembro


terça-feira, 10 de setembro de 2002

Timor e Os EUA


Por NUNO PACHECO
Sexta-feira, 6 de Setembro de 2002

Um pequeno e pobre país a quem negam justiça vê-se compelido a garantir imunidade aos soldados da maior potência mundial. Visto assim, parece anedótico. Mas é pior: é imoral

A poucos dias da tomada de posse de Sérgio Vieira de Mello como Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, as posições por ele expressas (em entrevista à revista "Visão") face aos julgamentos que têm decorrido em Jacarta, bem como a opinião ontem defendida nas páginas do PÚBLICO por Ian Martin (antigo representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a consulta popular em Timor Leste em 1999), obrigam a uma reflexão geral sobre o tema. Vieira de Mello diz que "o resultado dos primeiros julgamentos foi decepcionante" e Ian Martin vai mais longe, afirmando que os julgamentos dos acusados pelo terror em Timor-Leste "não só faltaram à justiça como viraram a verdade do avesso" e que, por isso, "a intervenção de um tribunal internacional poderá ser agora a melhor probabilidade de obter a evidência do envolvimento dos militares indonésios no comando que estava por detrás desta violência."
Quem se recorda do que sucedeu em Timor-Leste em 1999 saberá que o martírio de milhares de pessoas poderia ter sido poupado caso a Indonésia não tivesse promovido e liderado directamente a pretensamente indignada "rebelião" das milícias contra os resultados do referendo. Com diz Ian Martin no seu artigo, investigações conduzidas em separado pela comissão da ONU e pela própria comissão dos direitos humanos da Indonésia "não deixaram dúvidas quanto à responsabilidade dos militares indonésios nos crimes contra a humanidade." No entanto, das sentenças proferidas até agora pelo tribunal, apenas foi condenado o ex-governador do território Abílio Osório Soares - para quem, curiosamente, Xanana Gusmão tinha pedido clemência em nome da reconciliação nacional. Os restantes réus, oficiais superiores do Exército e da Polícia indonésia, foram absolvidos. Estes veredictos do Tribunal dos Direitos Humanos de Jacarta geraram já vários protestos, nomeadamente da presidência da União Europeia, que manifestou preocupação pelo facto de os "processos não estarem a ter em conta a real dimensão da violência ocorrida em Timor Leste em 1999".
Quem ainda não disse uma palavra relevante sobre o caso foram os Estados Unidos. Os mesmos Estados Unidos que agora conseguiram que Timor-Leste fosse o primeiro país a subjugar-se ao seu ultimato sobre o Tribunal Penal Internacional (TPI), mas que em 1999 não mandaram um único soldado para a força de paz enviada para Timor. Deste modo, um pequeno e pobre país a quem negam justiça vê-se compelido a servir de "exemplo" aos outros, garantindo imunidade aos soldados da maior potência mundial. Visto assim, parece anedótico. Mas é pior: é imoral . E perigoso. Porque na sua ânsia de obterem imunidade onde não se vislumbra que algum dia sejam apontados ou sequer procurados por crimes contra a humanidade, os Estados Unidos dão um péssimo exemplo que pode ser seguido a rigor por múltiplos tiranos. E o pior é que o fazem em nome da democracia. Esquecendo-se de dizer que é apenas da sua.

in Jornal Público, 06.09.02, pág. 6

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